Carta aberta de um pecador a todos os Cristãos

Durante estes últimos dias, tenho vivido com o coração apertado. Uma pressão sobre o meu peito que não passava. Pensava que tinha a ver com todos os acontecimentos trágicos, aqui e em França. E de facto tinha a ver, porque a tristeza e, por vezes, o desalento me assaltou.

Porém, descobri que este aperto de coração, esta dor no coração, não eram apenas causados por todos estes acontecimentos, mas também eram provenientes do meu pecado. Quando pecamos e não nos confessamos, estabelece-se uma barreira invisível entre nós e Deus, porque Deus, como é Perfeição Pura não admite na sua presença qualquer sombra de pecado. Quando pecamos, a nossa alma torna-se cada vez mais suja e imunda. A prova disso é que quando me confessei hoje ao Frei Paulo, este aperto de coração desapareceu e, mais tarde, comecei a chorar como há muito tempo não chorava.

(Eu sei, um homem a chorar é visto normalmente pela nossa sociedade como fraqueza, mas eu vejo isso como uma força que consola e sara as nossas feridas.)

Chorava pelos meus pecados, chorava pela minha fraqueza e chorava, também, compreendi eu, por todas as vítimas em França e também pelo João e pela sua família. Chorava também pela Conceição de Faro e pelos seus jovens, da maneira como isto os chocou e tocou, pela confissão daqueles que me disseram que queriam voltar, depois de um período de ausência. Chorava por todos aqueles que apesar de terem vindo ao funeral, ainda não voltaram. Chorava por aqueles que estiveram na catequese e não regressaram. Pensei naqueles pais que punham os seus filhos na catequese, mas eles próprios não frequentavam a Santa Missa, havendo sempre aquelas desculpas de que “não tenho tempo” ou “fica para outra vez”.

Fico triste quando vejo tantas pessoas que não compreendem o valor infinito que tem a Santa Missa, onde Jesus, na forma de pão e vinho, consagrado pelo sacerdote em persona Christi. Fico triste quando as pessoas não entendem que é na Santa Missa, especialmente no momento da consagração, que o Céu desce à Terra, o mundo espiritual se une com o mundo material, e o trigo e vinho se transubstanciam no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o próprio Deus que vem a tem nós, e o que fazemos? Não vamos comungar, porque nos recusamos a arrepender dos nossos pecados, porque arranjamos desculpas para não nos confessarmos, porque achamos que Deus não nos vai perdoar, por múltiplas razões não o fazemos. É por isso que o nosso coração fica pesado, perdemos a confiança em Deus, nos afastamos dele e da sua Igreja.

Isto toca-me profundamente e uma dor me trespassa o coração quando vejo que muitos dos meus irmãos jogam um perigoso jogo de roleta russa com a sua salvação e a salvação dos seus filhos e parentes, pois um católico que recusa a participar na Santa Missa dominical e dias de guarda, sem uma forte razão, que seja inadiável, comete um pecado grave, que está bem tipificado no Catecismo da Igreja Católica:

2181. A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis têm obrigação de participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério (por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito) ou dispensados pelo seu pastor. Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave.

Para confirmarem que não sou eu que o digo, podem ir ao  portal do Vaticano, CIC 2181 e confirmarem vocês mesmos.

Mas porquê? — podemos perguntar.

Porque não ir à Santa Missa, é a mesma coisa que ser convidado pelo Rei dos Reis e recusar o Seu convite para nos sentarmos à Sua mesa. Como nos sentiríamos se nós organizássemos uma festa e convidássemos os nossos amigos e nenhum deles viesse? Ou mesmo que viéssemos, nos recusássemos a comer e a beber? É isso que fazemos quando deliberadamente o fazemos em cada Domingo, quando não nos confessamos e não comemos o Seu Corpo e o Seu Sangue.

Meus queridos irmãos, voltemos para o Senhor, pois Ele é cheio de Misericórdia e espera-nos de braços abertos. Voltemos a Ele, confessando-nos, limpando as nossas almas com o Seu preciosíssimo Sangue. Ele morreu por nós, e o que fazemos? Viramos-Lhe as costas ou voltamos para Ele para sempre?

 

 

 

 

João, não te esqueceremos

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Generoso, sempre pronto para a ajudar…

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Criativo, colorindo a nossa vida com a sua amizade…

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Acólito da mesa do Senhor, preparando as hóstias para saciar a nossa fome…

(Vídeo do Grupo de Jovens em que o João aparece)

Até sempre, João! Não te esqueceremos!