Capítulo XII
Porque Deus quis que Sua Mãe fosse venerada pelos homens;
como Ele A constituiu depositária de toda a graça;
quão severamente Ele castiga a desonra e o desapreço por Ela.
Venera a Minha Mãe com uma devoção especial, saudando-a a miúde com piedosas orações e imitando o ardor da sua vida e as suas virtudes. Eu a dei ao mundo como modelo de santidade, inocência e pureza, como singular advogada e eficacíssima protetora, para que fosse um refúgio de imunidade para todos os atribulados e aflitos. Que ninguém tenha medo d’Ela; que ninguém duvide, que ninguém hesite em pedir o seu auxílio. Pois Eu a cobri de tanta doçura, bondade e misericórdia, de tanta generosidade e clemência, que a ninguém pode mandar embora, nem dizer que não. Para todos tem aberto o regaço da sua piedade e jamais permitirá que alguém se retire triste e desconsolado da sua presença[1].
Eu também a fiz formosa, amável e maravilhosamente doce e suave, incluindo para os pecadores desesperados e obstinados. Por isso, ela é para mim a publicidade mais eficaz, o isco no anzol, para conquistar as almas, sobretudo as destes últimos.
Aos grandes pecadores, que rompem todas as redes e que por nenhum outro caminho posso atraí-los a Mim, os ganho por meio da veneração e devoção à Minha Mãe. Eu a torno muito doce aos seus corações e os instigo — pois são de coração duro — a que a honrem por meio de piedosos atos de veneração, devoção, confiança e invocação, para os tornar aptos e dignos da Minha graça e de uma maior iluminação, até que se corrijam e cheguem a uma vida mais santa.
Assim, pois, encomenda-te a Ela todos os dias para que por sua intercessão recebas de Mim uma maior graça e um trato mais íntimo. Eu lhe confiei todo o tesouro da Minha graça e da Minha misericórdia quando a encomendei a todos os Meus filhos, especialmente os pecadores por quem naquele momento sofria, na pessoa de João[2]. Ela não ignorou isto. Por isso, Ela é tão diligente e tão zelosa no cumprimento do seu ofício, não permitindo, no que dela dependa, que se perca algum daqueles que lhe foram confiados, especialmente aqueles que a invocam; pelo contrário, Ela os faz voltar a Mim, reconciliando-os coMigo.
Não crês, filha, que Eu escolhi a pessoa mais idónea para esta função? Acaso poderia ter Eu encontrado alguém mais apto para este ofício? Os tristes, os desolados, os que estão sobrecarregados com o peso dos seus pecados quereriam eles outro intercessor perante Mim, que Me fale em sua defesa com maior fidelidade e que os acolha com mais bondade que esta mulher, que esta virgem humilde, misericordiosa, serena, amorosa, modelo de piedade e doçura, a mais poderosa e grata a Mim, como Mãe Minha, isto é, daqu’Ele que deve ser aplacado? Que erro! Como se obstinam para a sua perdição aqueles que despreciam esta tesoureira das Minhas graças e se negam a reconhecê-la como advogada perante Mim, como Eu o sou perante o Pai Celeste! Não há um caminho mais curto para o Inferno que manter afastada de si aquela por cuja intercessão tantas vezes Eu perdoei o mundo, tantas vezes Eu adiei a Minha ira. Pois quando não houver ninguém que medeie a favor deles, nem detenha a Minha mão estendida para o castigo, quem impedirá que os fira? Que castigo há maior que este? Castigar neste mundo como filhos, ou antes os entregar à condenação para que ficando cegos não vejam para onde vão, até que se sintam presos e envoltos nas trevas e em intermináveis sofrimentos?
Te faço estas confidências como Minha esposa, para que nisto e em todas as coisas não te afastes dos ensinamentos da Minha Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, nem permitas que te enganem aqueles que foram seduzidos pelo espírito maligno e que se chamam “evangélicos”.
[1] – Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado… (de uma antiga oração de S. Bernardo).
[2] Jo 19, 26.