XV. Carta de Jesus Cristo à Alma Devota

 

Capítulo XII

Porque Deus quis que Sua Mãe fosse venerada pelos homens;
como Ele A constituiu depositária de toda a graça;
quão severamente Ele castiga a desonra e o desapreço por Ela.

Venera a Minha Mãe com uma devoção especial, saudando-a a miúde com piedosas orações e imitando o ardor da sua vida e as suas virtudes. Eu a dei ao mundo como modelo de santidade, inocência e pureza, como singular advogada e eficacíssima protetora, para que fosse um refúgio de imunidade para todos os atribulados e aflitos. Que ninguém tenha medo d’Ela; que ninguém duvide, que ninguém hesite em pedir o seu auxílio. Pois Eu a cobri de tanta doçura, bondade e misericórdia, de tanta generosidade e clemência, que a ninguém pode mandar embora, nem dizer que não. Para todos tem aberto o regaço da sua piedade e jamais permitirá que alguém se retire triste e desconsolado da sua presença[1].

Eu também a fiz formosa, amável e maravilhosamente doce e suave, incluindo para os pecadores desesperados e obstinados. Por isso, ela é para mim a publicidade mais eficaz, o isco no anzol, para conquistar as almas, sobretudo as destes últimos.

Aos grandes pecadores, que rompem todas as redes e que por nenhum outro caminho posso atraí-los a Mim, os ganho por meio da veneração e devoção à Minha Mãe. Eu a torno muito doce aos seus corações e os instigo — pois são de coração duro — a que a honrem por meio de piedosos atos de veneração, devoção, confiança e invocação, para os tornar aptos e dignos da Minha graça e de uma maior iluminação, até que se corrijam e cheguem a uma vida mais santa.

Assim, pois, encomenda-te a Ela todos os dias para que por sua intercessão recebas de Mim uma maior graça e um trato mais íntimo. Eu lhe confiei todo o tesouro da Minha graça e da Minha misericórdia quando a encomendei a todos os Meus filhos, especialmente os pecadores por quem naquele momento sofria, na pessoa de João[2].  Ela não ignorou isto. Por isso, Ela é tão diligente e tão zelosa no cumprimento do seu ofício, não permitindo, no que dela dependa, que se perca algum daqueles que lhe foram confiados, especialmente aqueles que a invocam; pelo contrário, Ela os faz voltar a Mim, reconciliando-os coMigo.

Não crês, filha, que Eu escolhi a pessoa mais idónea para esta função? Acaso poderia ter Eu encontrado alguém mais apto para este ofício? Os tristes, os desolados, os que estão sobrecarregados com o peso dos seus pecados quereriam eles outro intercessor perante Mim, que Me fale em sua defesa com maior fidelidade e que os acolha com mais bondade que esta mulher, que esta virgem humilde, misericordiosa, serena, amorosa, modelo de piedade e doçura, a mais poderosa e grata a Mim, como Mãe Minha, isto é, daqu’Ele que deve ser aplacado? Que erro! Como se obstinam para a sua perdição aqueles que despreciam esta tesoureira das Minhas graças e se negam a reconhecê-la como advogada perante Mim, como Eu o sou perante o Pai Celeste! Não há um caminho mais curto para o Inferno que manter afastada de si aquela por cuja intercessão tantas vezes Eu perdoei o mundo, tantas vezes Eu adiei a Minha ira. Pois quando não houver ninguém que medeie a favor deles, nem detenha a Minha mão estendida para o castigo, quem impedirá que os fira? Que castigo há maior que este? Castigar neste mundo como filhos, ou antes os entregar à condenação para que ficando cegos não vejam para onde vão, até que se sintam presos e envoltos nas trevas e em intermináveis sofrimentos?

Te faço estas confidências como Minha esposa, para que nisto e em todas as coisas não te afastes dos ensinamentos da Minha Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, nem permitas que te enganem aqueles que foram seduzidos pelo espírito maligno e que se chamam “evangélicos”.

[1]Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado… (de uma antiga oração de S. Bernardo).

[2] Jo 19, 26.

XIV. Carta de Jesus Cristo à Alma Devota

Capítulo XI

Evita a peculiaridade.

Na tua conversação com os demais, não mostres um rosto triste ou tenso, mas sim sereno; assim não te converterás num fardo para o próximo.

Evita a peculiaridade em cerimónias, bem como em práticas e sinais de devoção desnecessários aos olhos dos outros. Porém, no que respeita ao que é necessário à tua alma, à exigência do teu estado e profissão cristã, ao que necessitas para adquirir as virtudes e evitar o pecado, nisso tudo não temas em ser peculiar. Se vês que os outros se descuidam da sua própria salvação, tu sê peculiar e não faças como eles. Além disso, pela tua salvação, para a aquisição das virtudes e aceitação do meu beneplácito, terás que suportar humilde e pacientemente enganos e perseguições.

XIII. Carta de Jesus Cristo à Alma Devota

 

Capítulo X

Precavem-te contra a inveja.

Sê especialmente diligente a evitar o pecado da inveja. Pela inveja deixas de ser amável com o próximo, o teu apreço por ele diminui, te consideras superior a ele, e te afliges e entristeces quando, pelos seus bens, honras, louvores e proveitos, ele é o preferido, em vez de ti.

Para vencer esta tentação, filha Minha, sê com ele mais afável e solícita, nunca fales dele na sua ausência, nem escutes o que os outros dizem. Que as tuas palavras, obras e gestos jamais tenham o odor da inveja ou nela tenham a sua origem.