XXI. Carta de Jesus Cristo à Alma Devota

Capítulo XVIII

Sobre o dever de nos sentirmos humildes em relação a nós
próprios e de pedir a Deus a humildade antes de tudo

Aborrece-te e foge com a tua alma das honrarias e da glória em favor dos homens, e das demais adulações e lisonjarias do mundo. Pensa antes que és um homem soberbo, ingrato e irrespeitoso para coMigo; por isso, se eu te pagasse como tu mereces, serias odioso a todas as criaturas, pois que não és digna nem da terra nem do ar que respiras. Com estes sentimentos implora incessantemente a Minha misericórdia e a Minha graça. Não te apoies nas tuas obras e desconfia de outros méritos que não sejam os da Minha redenção e bondade. Pede-Me, com lágrimas e gemidos, uma humildade perfeita, pois somente por meio dela amarás a ser ignorada, desprezada e considerada como nada. Deseja, tanto quanto possível, a abraçar as coisas mais simples e humildes, e escolhe ter e fazer os que os outros recusam por parecer desprezível, julgando-te indigna e a mais vil que os mais vis. Não manifestes nem o mais pequeno vestígio de ostentação nem desejo de glória, nem nada que te faça parecer como alguém especial, a não ser que a necessidade ou o amor puro a Deus te o exijam. Nada ostentes, de nada te gabes. Não te irrites contra quem te ofende ou te despreza, nem mostres um rosto mais triste que o costume ou um coração menos benévolo. Antes, sim, admira-te que todas as criaturas não se conjugam contra ti por teres ofendido a Mim, que sou o teu Criador, e de todas as coisas.