Como meditar na Palavra

 A meditação da Palavra - lectio divina - ensina-nos que rezar também é escutar a voz de Deus através da Sagrada Escritura.

Abaixo propomos uma estrutura com base no estudo feito por muitos autores ao longo dos anos. Juntamos-lhe os conselhos deixados por São Francisco de Sales na obra "Introdução à Vida Devota". Durante os próximos dias, vamos propor que apliques estes passos a passagens da escritura. Por hoje, sugerimos que os leias com atenção para te familiarizares com esta forma de oração conhecida pelos seus bons frutos.

  1. Escolher um lugar tranquilo e colocar-se na presença de Deus. Pode fazer-se uma pequena oração, invocar o Espírito Santo. Sobre este primeiro ponto, São Francisco de Sales escreve: «Deus não somente está no lugar onde te achas, mas também está presente em ti mesma, no âmago da tua alma: ele a vivifica, anima e sustenta por sua divina presença; pois como a alma, estando presente em todo o corpo, reside contudo dum modo especial no coração, assim Deus, estando presente em todas as coisas, o está muito mais em nossa alma (...) Deste modo também este pensamento incitará no teu coração um respeito profundo por Deus, que está em ti tão intimamente presente».

  2. Tomar um texto da Escritura (pode ser o evangelho do dia, por exemplo) ou uma passagem de um autor espiritual.

  3. Ler calma e atentamente o texto. São Francisco de Sales sugeria imaginarmos também os acontecimentos com todos os detalhes que lemos como se estivessem a acontecer diante dos nossos olhos, de forma que a nossa atenção fique imersa no texto.

  4. Ficar numa passagem enquanto for frutífera. Depois de esgotada, passar ao ponto seguinte. O objectivo não é o estudo intelectual mas a meditação. Procura-se crescer no amor a Deus e às virtudes. Escrevia São Francisco de Sales: «Se achares gosto, luzes e utilidade numa das considerações, demora-te nela, imitando as abelhas, que não largam a flor em que pousaram, enquanto acham aí mel que ajuntar. Mas se uma consideração causa dificuldades à tua mente e não tem atrativos para o teu coração, depois de ter-lhe aplicado por algum tempo o teu coração e a tua mente, podes passar adiante a outra consideração, precavendo-te somente que não te deixes levar por curiosidade ou precipitação».

  5. Tentar compreender o que Deus quer dizer-nos através daquela passagem, como podemos aplicá-la na nossa vida. «A meditação excita na vontade inúmeras moções boas e santas, como o amor de Deus e ao próximo (…) o ardor para imitar a vida de Jesus Cristo, a compaixão, a admiração, a alegria (…) Entretanto, não te deves restringir a estes afectos gerais, sem que faças resoluções especiais e particularizadas para o aperfeiçoamento das tuas acções», aconselha São Francisco de Sales.

  6. Terminar com um momento de oração final. Pode rever-se tudo o que foi meditado, agradecê-lo a Deus e pedir-lhe a graça de pô-lo em prática. Sobre isso, São Francisco de Sales escrevia: “Quem passeia pela manhã num ameno jardim não sai satisfeito sem colher algumas flores, pelo prazer de lhes sentir o perfume pelo dia adiante; assim também deves colher o fruto da tua meditação, gravando no pensamento duas ou três coisas que mais te impressionaram e comoveram, para as considerar de novo de vez em quando, durante o dia, e para te conservares em teus bons propósitos”.

Imagem: Aparição de Cristo, Ivanka Demchuk
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