Como meditar na Palavra
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A meditação da Palavra - lectio divina - ensina-nos que rezar também é escutar a voz de Deus através da Sagrada Escritura.
Abaixo propomos uma estrutura com base no estudo feito por muitos autores ao longo dos anos. Juntamos-lhe os conselhos deixados por São Francisco de Sales na obra "Introdução à Vida Devota". Durante os próximos dias, vamos propor que apliques estes passos a passagens da escritura. Por hoje, sugerimos que os leias com atenção para te familiarizares com esta forma de oração conhecida pelos seus bons frutos.
- Escolher um lugar tranquilo e colocar-se na presença de Deus. Pode fazer-se uma pequena oração, invocar o Espírito Santo. Sobre este primeiro ponto, São Francisco de Sales escreve: «Deus não somente está no lugar onde te achas, mas também está presente em ti mesma, no âmago da tua alma: ele a vivifica, anima e sustenta por sua divina presença; pois como a alma, estando presente em todo o corpo, reside contudo dum modo especial no coração, assim Deus, estando presente em todas as coisas, o está muito mais em nossa alma (...) Deste modo também este pensamento incitará no teu coração um respeito profundo por Deus, que está em ti tão intimamente presente».
- Tomar um texto da Escritura (pode ser o evangelho do dia, por exemplo) ou uma passagem de um autor espiritual.
- Ler calma e atentamente o texto. São Francisco de Sales sugeria imaginarmos também os acontecimentos com todos os detalhes que lemos como se estivessem a acontecer diante dos nossos olhos, de forma que a nossa atenção fique imersa no texto.
- Ficar numa passagem enquanto for frutífera. Depois de esgotada, passar ao ponto seguinte. O objectivo não é o estudo intelectual mas a meditação. Procura-se crescer no amor a Deus e às virtudes. Escrevia São Francisco de Sales: «Se achares gosto, luzes e utilidade numa das considerações, demora-te nela, imitando as abelhas, que não largam a flor em que pousaram, enquanto acham aí mel que ajuntar. Mas se uma consideração causa dificuldades à tua mente e não tem atrativos para o teu coração, depois de ter-lhe aplicado por algum tempo o teu coração e a tua mente, podes passar adiante a outra consideração, precavendo-te somente que não te deixes levar por curiosidade ou precipitação».
- Tentar compreender o que Deus quer dizer-nos através daquela passagem, como podemos aplicá-la na nossa vida. «A meditação excita na vontade inúmeras moções boas e santas, como o amor de Deus e ao próximo (…) o ardor para imitar a vida de Jesus Cristo, a compaixão, a admiração, a alegria (…) Entretanto, não te deves restringir a estes afectos gerais, sem que faças resoluções especiais e particularizadas para o aperfeiçoamento das tuas acções», aconselha São Francisco de Sales.
- Terminar com um momento de oração final. Pode rever-se tudo o que foi meditado, agradecê-lo a Deus e pedir-lhe a graça de pô-lo em prática. Sobre isso, São Francisco de Sales escrevia: “Quem passeia pela manhã num ameno jardim não sai satisfeito sem colher algumas flores, pelo prazer de lhes sentir o perfume pelo dia adiante; assim também deves colher o fruto da tua meditação, gravando no pensamento duas ou três coisas que mais te impressionaram e comoveram, para as considerar de novo de vez em quando, durante o dia, e para te conservares em teus bons propósitos”.